Guia prático para introdução alimentar

Guia prático para introdução alimentar

Já falamos aqui no blog sobre os 4 métodos de introdução alimentar: tradicional, alimentação responsiva, BLW e alimentação participativa, bem como sobre quando iniciar a introdução alimentar e a importância da escolha dos alimentos.

Quando minha filha completou 6 meses e o pediatra liberou a introdução alimentar, recebi algumas orientações dele, uma espécie de guia prático que vou compartilhar com vocês.

1-    Inicie com frutas

Continue a amamentação normalmente, mas ofereça uma fruta pela manhã e outra à tarde, no intervalo entre uma mamada e outra.

Frutas são docinhas e por isso mais palatáveis, o que ajuda na aceitação do bebê. Fica mais atrativo para ele provar.

Faça isso por uma semana, mais ou menos, para o bebê se adaptar. Depois disso, inicie a introdução da papinha principal. Não chamo de papinha salgada, porque não é aconselhável o acréscimo de sal, por isso prefiro usar o termo papinha principal para me referir ao almoço ou jantar.

Siga com a amamentação e as frutas, porém ofereça uma papinha com legumes, verduras, grãos ou tubérculos, no almoço.

Siga assim por mais uma semana ou duas para, só então, introduzir o jantar. Pela noite tudo é mais difícil: imagina uma reação alérgica com seu bebê ou a ocorrência de gases, cólica ou vômito? É bem mais fácil encontrar ajuda durante o dia, além de não deixarmos que o bebê durma com a barriguinha muito cheia.

Prefira sempre o horário da manhã e começo da tarde para oferecer alimentos novos, nunca antes comido pelo seu filho. Como dito, é mais fácil encontrar ajuda durante o dia. Vai por mim!

2-    Vá devagar

Como alguns alimentos podem desencadear algum tipo de processo alérgico, é importante você oferecer, pelo menos no início, um alimento por vez e aguardar umas 2 horas para ver se o bebê não teve nenhuma reação (e sempre durante o dia).

No caso das frutas, comece oferecendo só a pêra, na próxima refeição ofereça uma maçã por exemplo. Continue assim até que o bebê tenha saboreado um número suficiente de alimentos que permitam que você comece a fazer misturas. Memorize sempre o que seu bebê comeu na refeição anterior. Se der algum problema, você já tem algo para iniciar a investigação junto ao seu pediatra.

No caso da papinha principal, como eu optei pelo método tradicional, decidi por oferecer sopinhas passadas na peneira. Batia no liquidificador somente a carne e folhas, tipo espinafre e couve.

Eu, por exemplo, fazia as papinhas com uma opção de proteína, frango no primeiro mês, e uma opção de cada grupo alimentar (legumes, verduras, tubérculos, etc. Mas não misture mais que 3 alimentos em uma refeição ok?!

Para quem optar por outro método, como BLW por exemplo, pode seguir essa regra dos grupos alimentares, cozinhando individualmente os alimentos e oferendo separadamente. O pratinho fica bem colorido!

Grupos alimentares

PROTEÍNAS
Frango (caipira), carne, peixe…

GRUPO 1 – TUBÉRCULOS E RAIZES – são caules curtos e grossos, ricos em carboidratos
Dê preferência aos de baixo e médio índice glicêmico como batata doce e inhame. Mas pode usar também a batata, mandioquinha, mandioca.

GRUPO 2 – LEGUMES – são vegetais cuja parte comestível não são folhas
Abóbora, abobrinha, chuchu, brócolis, couve flor, berinjela, moranga, quiabo…

GRUPO 3 – VERDURAS – são vegetais cuja parte comestível são as folhas
Espinafre, escarola, couve, acelga, mostarda. No caso das folhas, até 9 meses pode liquidificar se quiser.

GRUPO 4 – Cereais – são sementes ou grãos comestíveis das gramíneas
Feijão, lentilha, ervilha, grão de bico, trigo, arroz, aveia. Esse grupo oferecer preferencialmente após 9 meses.

3-    Respeite a fase de transição

Nesse início, não precisa se preocupar com a quantidade que seu bebê vai comer. O primeiro mês da introdução é basicamente para que ocorra a transição do alimento líquido, que é o leite, para o pastoso e sólido, que é a comida.

Muita coisa muda nessa fase, o bebê está conhecendo um mundo completamente novo.

Ele está acostumado com o ato de sugar, com um líquido gostoso, que ele recebe ali no aconchego do colo da mãe. E agora ele se vê sentado em uma cadeira, com um alimento pastoso, de um sabor que ele nunca provou e que vem em uma colher.

Então, fique tranquila. Ofereça os alimentos, deixe seu filho conhecer os sabores e texturas e respeite o tempo dele. Com o tempo ele vai começar a abrir bem a boca e vai perdendo o reflexo de protusão da língua, que faz com que ele empurre a comida pra fora da boca, isso é bem normal nas primeiras semanas.

Por isso é recomendado oferecer o leite após as refeições, justamente porque o bebê não vai conseguir absorver toda a energia que ele precisa através dessa nova alimentação.

A medida que a coisa vai evoluindo, você vai tirando essa mamada após as refeições.

4-    Regra das 15 vezes

Essa é outra regra importante. Por dois motivos: primeiro para garantir que seu filho não tenha nenhuma reação indesejada a determinado alimento e, segundo, para garantir a aceitação do alimento.

No primeiro mês, já que nesse período vamos oferecer um alimento por vez, escolha um e ofereça-o consistentemente por 3 dias seguidos, para observar a reação do seu bebê, se não tem nenhuma alergia, gases ou se soltou ou prendeu o intestino.

Após a fase de transição, obedeça a regra das 15 vezes. Onde você vai oferecer o mesmo alimento 15 vezes pro seu filho, pode mudar a forma de apresentação do alimento e não precisa ser 15 dias seguidos.

A maçã por exemplo: primeiro ofereça um pedaço que o bebê consiga por na boca e sugar o suco. Depois ofereça raspadinha ou cozida em um pouco de água com canela, ou deixe uns minutos no micro-ondas para que fique mais molinha. Isso dá oportunidade à mãe e ao pai de observarem qual apresentação tem mais aceitação.

Pode ser que a fruta in natura ele não aceite, mas a mesma fruta amassadinha tenha mais sucesso. Não desista de um alimento só porque seu filho não aceitou de primeira.

Insista mudando as texturas e formas de apresentação. Às vezes até misturando com outra coisa que você já sabe que ele gosta de forma que ele aceite aquele alimento em algum momento e se abra para aquele sabor.

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5-    Abuse dos temperos naturais

Vamos combinar que ninguém gosta de comida insossa né?! Criança também merece comer uma comidinha gostosa e cheia de sabor. Não é porque não tem sal que precisa ser sem gosto.

Use alho, cebola, cebolinha, cominho, açafrão (cúrcuma), orégano, enfim, temperinhos naturais são de grande utilidade nessa fase.

Tanto para deixar a comida mais gostosa quanto para a criança já se acostumar com sabores diferentes e mais fortes.

Evite pimenta! Ela é agressiva ao trato digestivo de nossos filhotes pequeninos. Esse tempero pode esperar um pouco para ser introduzido na alimentação.

6-    Evite os alimentos alergênicos

O ideal é esperar a criança completar 12 meses para começar a oferecer os alimentos mais alergênicos. E quando oferecer, preferencialmente pela manhã ou início da tarde, isole-o de outros alimentos e observe por pelo menos 2 horas após a refeição. Se nada aconteceu, tudo bem: podemos dar a próxima refeição sem medo.

Alguns exemplos de alimentos alergênicos: ovo, amendoim, soja, trigo, frutos do mar, laticínios, etc.

7-    Sugestão de modelo de introdução alimentar

Essa tabela é uma sugestão de como equilibrar leite e alimentação no primeiro mês. À medida em que a criança vai se adaptando com a nova rotina, você vai fazendo alterações até chegar na rotina normal.

Modelo de rotina alimentar no 1°mês de introdução alimentar

Desjejum Leite Materno ou fórmula
Café da manhã Papa de fruta
Leite da manhã Leite Materno ou fórmula
Almoço Papa principal
Lanche da tarde Papa de fruta
Jantar (depois da 3° semana) Papa principal
Leite da noite Leite Materno ou fórmula

Modelo de rotina normal após os 12 meses

Desjejum Leite Materno ou fórmula
Café da manhã Pão integral/fruta/bolacha integral
Lanche da manhã Fruta/bolo integral
Almoço Comida da família
Lanche da tarde fruta/bolo integral
Jantar Comida da família
Leite da noite Leite Materno ou fórmula

Existem crianças que precisam de mais intervalo entre as refeições. Para essas, podemos suspender os lanches da manhã e da tarde para que tenham apetite na hora do almoço e jantar. Como saber? É fácil: observe seu filhote e tente de outra forma, se achar que vai dar resultados melhores. Logo encontrará o equilíbrio. Fique tranquila e curta mais essa fase!

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