O site da Família O'Melete utiliza cookies. Saiba mais sobre nossas Políticas de Cookies clicando aqui. Ao navegar você concorda com a sua utilização.
Saiba mais sobre os cookies em nossa Advertência Jurídica e Políticas de Privacidade

Habilidades que as crianças precisam desenvolver para tornarem-se adultos capazes – disciplina positiva

Habilidades que as crianças precisam desenvolver para tornarem-se adultos capazes – disciplina positiva

Como falamos anteriormente, uma educação rígida e controladora, que se vale de punições e recompensas na tentativa de educar, faz com que toda a energia e inteligência da criança seja direcionada para manipular, revoltar-se ou esquivar-se.

Já a disciplina positiva, que é pautada em respeito mútuo e cooperação, proporciona que a ela desenvolva habilidades que são necessárias para a vida.

Jane Nelson e H. Stephen Glenn, no livro Raising Self-Reliant Children in a Self-Indulgent World (Criando filhos autoconfiantes em um mundo autocomplacente, ainda não publicado no Brasil), identificaram as 7 Percepções e Habilidades Significativas necessárias para o desenvolvimento de pessoas capazes.

São elas:

1- Forte percepção das habilidades pessoais – “Eu sou capaz”.

Para seu filho desenvolver essa habilidade, é necessário que você permita que ele se sinta capaz de fazer coisas ou tomar decisões.

Não faça nada que ele possa fazer sozinho. Uma criança de 2 anos, por exemplo, já é capaz de tirar o calçado ou se vestir sozinha. Estimule a autonomia no seu filho. Permita que ele tente fazer as coisas sozinho, só interfira se ele pedir ajuda.

Uma boa maneira de fazer isso é abaixar-se na altura dele e olhar em seus olhos e dizer: “Eu estou aqui para você. Caso precise de ajuda, é só pedir!”. E quando ele solicitar sua ajuda, você deve ensiná-lo a fazer, mostrar e explicar.

2- Forte percepção de sua importância nas relações primárias – “Eu contribuo de maneira significativa e sou genuinamente necessário.”

É importante deixar a criança participar das reuniões familiares e ajudar na criação das regras. É incrível como elas ficam mais propensas a seguir as regras que elas ajudaram a estabelecer.

Incentivá-las a ajudar nas tarefas da casa também é uma ótima oportunidade para fortalecer essa percepção. Uma criança de 2 anos, por exemplo, já pode ajudar a secar a louça, arrumar a mesa para a refeição… e eles cooperam com gosto, ficam super animados em ajudar.

habilidades desenvolver adultos capazes

3- Forte percepção de seu poder ou influência pessoal sobre a própria vida – “Eu posso influenciar as coisas que acontecem comigo.”

A dica de colocar as crianças para contribuir com a elaboração das regras que elas devem seguir, funciona muito bem para essa habilidade também.

Mas conversar com a criança e respeitar suas vontades e escolhas, quando possível, é claro, também reforça essa percepção de poder sobre sua própria vida.

Por exemplo: está na hora do banho e você avisa seu filho. Ele diz que não vai tomar banho. Você vai até ele e pergunta o porquê de ele não querer tomar banho naquele momento. Ele vai te dizer que está brincando ou está assistindo a um programa de TV.

Ao invés de obrigá-lo a tomar banho na hora que você quer, só por achar que isso vai mostrar quem manda, você pode perguntar quanto tempo ele precisa para terminar a brincadeira ou o programa ao qual está assistindo, negociando, em seguida, esse tempo com ele.

Você vai se abaixar e, olhando nos olhos dele, pode dizer: “ok, você tem 15 minutos para terminar sua atividade. Daqui a 15 minutos eu volto para te buscar para o seu banho, combinado??”

E você cumpre o combinado. Pode ser que mesmo assim seu filho chore um pouco e, se não acabou ainda a atividade, ele não queira parar. Mas você vai lembrá-lo do combinado: que você deu um tempo a ele e que agora ele precisa mesmo parar o que está fazendo e tomar seu
banho. E que pode retomar a brincadeira depois.

Dessa forma ele vai se sentir respeitado e vai perceber que pode influenciar o que acontece com ele. E vai observar que os pais são gentis a ponto de negociar e dar um tempo a ele, mas são firmes a ponto de cumprir com o que foi combinado previamente.

4- Forte habilidade intrapessoal: habilidade de entender suas próprias emoções e de usar esse entendimento para desenvolver autodisciplina e autocontrole.

Para que seu filho consiga entender suas próprias emoções, ele precisa que você identifique e valide as emoções dele.

Por exemplo: vocês estavam no mercado e seu filho queria muito um brinquedo. Mas era algo supérfluo, que ele não precisava.

Então você explicou isso a ele: “Filho, você já tem um brinquedo parecido e não precisa de outro brinquedo agora. A mamãe não vai comprar, tá bom?!”

Nesse momento ele chora e você identifica que ele está com raiva e frustrado por não receber o que ele quer. É aí que você vai explicar o que ele está sentindo.

Abrace seu filho (acolha a emoção) e diga: “Isso que você está sentindo é raiva. Está chateado porque queria o brinquedo e não pode tê-lo agora (valide a emoção). Tudo bem se sentir assim, eu também sinto raiva quando quero algo e não posso. Mas é assim mesmo, nem sempre podemos ter tudo que queremos. Logo passa. Se precisar, estou aqui para você!”

Assim a criança vai aprendendo a identificar, a lidar e controlar as próprias emoções.

5- Forte habilidade interpessoal: habilidade de trabalhar com os outros e  desenvolver amizades por meio de comunicação e cooperação, negociação, troca, empatia e escuta ativa.

Essa habilidade ele vai desenvolver através do exemplo.

Quando você ouve seu filho, faz combinados com ele e os cumpre. Quando você permite ouve o seu filho tem a dizer. Quando ele coopera com a criação das regras da casa e das reuniões familiares, com as tarefas domésticas. Quando você demonstra respeito e empatia ele vai aprender e reproduzir essas atitudes.

6- Forte habilidade sistêmica: capacidade de lidar com os limites e consequências da vida cotidiana com responsabilidade, adaptabilidade, flexibilidade e integridade.

Quando você faz combinados com seu filho e cumpre, quando ele participa da elaboração das regras, ele está aprendendo essa capacidade.

Outro exemplo: é hora do almoço, seu filho está ajudando a colocar a mesa, e você pergunta o que ele quer. Dá duas opções: arroz com feijão ou macarrão. Ele escolhe o arroz com feijão, mas quando começa a comer, diz que não quer mais e que quer macarrão.

Você olha para ele e diz: – Puxa, não posso mudar o sabor do arroz com feijão, mas tenho certeza que pode esperar a próxima refeição, já que não quer comer agora.

Assim, a criança vai entender que ela é responsável pelas escolhas que faz e que essas escolhas têm consequências.

7- Forte habilidade de avaliação: habilidade de usar a sabedoria para avaliar as situações de acordo com os valores apropriados.

A habilidade numero 6 já ajuda muito nessa aqui, de avaliar as situações. Deixar seu filho errar e mostrar a ele que isso é uma ótima oportunidade para aprender também vai ajudar muito.

Aos poucos, ele entenderá que as consequências podem ser modificadas por mudanças nas atitudes ou maneiras de se fazer (ou não) algo. Com isso, a avaliação de determinada situação começa a se mostrar uma opção bem melhor que simplesmente enfrentar as consequências.

Isso é aprendizado próprio de seu filho, sempre auxiliado por vocês, os pais. A apropriação de determinados valores acaba por firmar a habilidade de avaliação ao longo do tempo.

Curta também nossa fanpage no Facebook.

Envie seu comentário

Optimization WordPress Plugins & Solutions by W3 EDGE