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Vamos falar de puerpério

Vamos falar de Puerpério

Eu nunca tinha ouvido falar de Puerpério, até que um dia eu estava a ponto de explodir e conversei com uma amiga, que havia se tornado mãe pouco antes de mim, e ela me disse que tudo que eu estava sentindo era normal, que era o puerpério.

O que é puerpério? Como assim, ninguém me contou o que é puerpério antes? Porque o médico não me falou sobre isso? Porque não tinha um capítulo sobre puerpério no manual da grávida?

Se tornar mãe é dolorido, confuso e difícil, sua vida muda completamente de um dia para o outro. Literalmente, dormi sendo a Adriane que eu conhecia, e no dia seguinte eu era a Mamãe da Letícia, uma pessoa que eu não sabia quem era. Na maternidade, ninguém me chamava pelo nome, só por mamãe.

Nos primeiros dias eu estava tão inundada de ocitocina, estava em êxtase, que não senti muito o cansaço das noites quase em claro (dica de como dormir melhor). Meu marido tirou férias e ficou o primeiro mês todo em casa, além da minha mãe que estava sempre presente ajudando, isso me deu uma certa segurança no início.

Mas com o tempo, tudo mudou, além de sentir muita falta de dormir e me sentir exausta, eu sentia medo, muito medo de não dar conta, além de não me sentir mãe daquele bebezinho lindo, eu tinha a sensação que eu só estava cuidando daquela criança e que a qualquer momento a mãe dela viria busca-la. E tive uma crise de identidade, a Adriane de sempre não existia mais, e eu me olhava no espelho e não reconhecia aquela pessoa, quem era? O que ela desejava, o que ela fazia, qual era sua função no mundo?

Sabe o que é ter que escolher qual das suas necessidades básicas você vai atender enquanto a criança dorme? Ter que escolher entre cocô, dormir, banho, escovar os dentes, comer….

E como eu me sentia sozinha mesmo com minha filha sempre ali pertinho, como me sentia exausta, como sentia falta da pessoa que eu era e da vida que eu tinha, onde conseguia um tempo para mim e que eu fazia as coisas conforme a minha vontade e necessidade.

E eu chorei, fiquei irritada, pirei, briguei com o marido diversas vezes, exigi que ele resolvesse tudo aquilo, cobrei dele uma solução que simplesmente não existia.

E eu chorava mais e me sentia pior ainda, porque não entendia a razão de me sentir tão triste, tão irritada, tão mal, sendo que tinha uma filha linda, saudável e tranquila. Por que não me sentia feliz, plena e realizada, como as mães devem se sentir?

E falar sobre isso é um pecado mortal: as poucas vezes que falei como me sentia fui duramente criticada. Ninguém me compreendia. Que sacrilégio me sentir assim! Até o dia em que conversei com essa amiga, e sou imensamente grata a ela, pois foi libertador saber que ela também se sentiu assim. Me ajudou muito saber que eu não era a única, que eu não estava errada, que eu não era louca, que era normal e que iria passar.

E realmente esse sentimento foi diminuindo, até que me reconheci como mãe de verdade. Os hormônios voltaram aos seus devidos lugares, a vida ficou mais leve, cuidar da minha linda criança se tornou prazeroso e entendi e aceitei que minha vida mudou, mas voltaria ao normal (não ao que era antes, mas melhor ou tão boa quanto).

Dois anos se passaram e eu ainda estou descobrindo quem é essa nova mulher que nasceu junto com a minha pequenina, e sou grata por ela existir em minha vida e por tudo que aprendi com ela.

Temos que desmistificar essa ideia da maternidade romântica. É maravilhoso ser mãe, mas também pode ser muito dolorosa toda essa transformação. Fique atenta! Puerpério é normal e vai passar, mas depressão pós-parto não, e deve ser tratada. Fale com seu médico.

Sinta-se à vontade para me mandar mensagem, e-mail ou inbox no facebook e desabafar. Até a próxima!

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